No cálculo da inflação, o subitem energia elétrica corresponde a cerca de 25% do grupo habitação. Em setembro, a habitação teve a maior contribuição no índice geral, com variação de 1,8%.
De acordo com Pedro Coletta, analista de energia da Equus Capital, além do impacto nas contas dos consumidores, o preço da eletricidade afeta indiretamente outros setores, como a indústria e os serviços.
“A variação nos preços de eletricidade influencia de maneira ampla, podendo pressionar a inflação quando há aumento e aliviá-la em momentos de redução dos custos”, explica o analista. “Uma alta na eletricidade acaba inflacionando uma série de produtos e serviços, ampliando seu impacto na economia”, completa.
Coletta ainda ressalta que as famílias de menor renda são mais sensíveis a esses aumentos. Isso, ainda segundo ele, “pode levar à redução do consumo de energia, afetando seu bem-estar e até a saúde pública”.
Inflação acende alerta para o governo
O avanço da inflação acendeu um alerta para a equipe econômica do governo federal, visto que a inflação segue se aproximando cada vez mais do limite da meta estabelecida para 2024, de 4,5%.
O centro da meta para 2024 é de 3%, com variação de 1,5 ponto percentual para cima ou para baixo. Ou seja, com piso de 1,5% e teto de 4,5%.
A última vez que a meta foi descumprida foi nos anos de 2021 e 2022, sob influência da pandemia e dos conflitos geopolíticos. Em 2023, a inflação voltou a se situar dentro do intervalo permitido.
Alguns analistas já preveem que a meta será estourada novamente em 2024. A Warren Consultoria, por exemplo, prevê que o IPCA de 2024 encerre o ano em 4,75%.
A meta de inflação de cada ano é estabelecida pelo Conselho Monetário Nacional (CMN), que é composto por:
Ministro da Fazenda;
Ministro do Planejamento e Orçamento; e
Presidente do Banco Central.
Em caso de descumprimento da meta, a autoridade monetária precisa publicar carta explicitando os motivos do desvio, as providências para assegurar o retorno aos limites estabelecidos e o prazo estimado desse retorno.
Ciclo de bandeiras verdes acabou em julho
Uma sequência de bandeiras verdes começou em abril de 2022 e teve o ciclo encerrado em julho de 2024, com o acionamento da bandeira amarela, após dois anos de preços baixos nas contas de energia elétrica.
Em agosto, a cobrança na conta dos consumidores conectados ao Sistema Interligado Nacional (SIN) voltou a ser verde. Contudo, a história mudou no mês seguinte, quando a Agência Nacional de Energia Elétrica (Aneel) anunciou a bandeira tarifária vermelha de patamar 1.
Neste mês, a bandeira é vermelha de patamar 2. Isso significa que há um acréscimo de R$ 7,877 para cada 100 quilowatts-hora (kWh) consumidos nas contas de luz dos brasileiros em outubro.
“Não é uma medida de governo, é uma medida com condão muito técnico. Quem tem que assumir a responsabilidade por ela é o ministro de Estado, ouvindo, claro, como sempre, os nossos auxiliares”, afirmou.